sexta-feira, 8 de abril de 2016

Grupo se organiza para combater bandidos por conta própria em Pontal do Paraná

Colaboração / Paraná PortalParaná Portal: Moradores de Pontal do Paraná, se organizaram para combater por conta própria os furtos e roubos na cidade. Desde o fim da temporada de verão, o grupo denuncia uma onda de crimes em sequência. Em um dos dias da semana passada, segundo relatos de moradores em audiência pública na Câmara Municipal nesta semana, dez casas foram arrombadas em uma noite.
O inspetor de seguros Valdecir Matias afirma que organizou um grupo para combater os assaltantes. Segundo ele, a polícia não atende as ocorrências. “Começamos a juntar os boletins de ocorrência, criamos um grupo no Whatsapp para nos protegermos. Quando um souber de uma movimentação estranha, ou movimento em alguma casa, para o pessoal se reunir e tentar pegar os bandidos. Não conseguimos capturar nenhum, mas… E os roubos continuam”, reclama.
Providências
Os moradores seguiram todos os caminhos recomendados. Foram à delegacia. registraram as ocorrências em série: pediram uma audiência pública na Câmara Municipal. realizada na terça (5); e encaminharam ofício ao Conselho de Segurança de Pontal do Sul (balneário de Pontal do Paraná). Segundo o grupo, nenhuma medida foi tomada. Depois que se organizaram. os moradores inclusive apontaram suspeitos dos roubos. “Todos sabem quem são”, diz Matias.
Outra moradora, que pediu para não ser identificada, confirma que todos sabem quem são os assaltantes. “Antes a gente sabia de um roubo esporádico, em outro mês outro (roubo), mas não como está acontecendo agora. Tem casas sendo arrombadas, tanto de moradores quanto de veranistas. A gente quem está fazendo isso. Aqui é muito pequeno, todo mundo se conhece”, afirma.
Comunidade
O Conselho Comunitário de Segurança do Município de Pontal do Paraná (Conseg/Pontal) respondeu aos moradores em uma carta dizendo que as polícias, Civil e Militar “pouco fazem para resolver a situação”. Segundo o Conseg, a maioria das viaturas está parada.
A nota afirma que boa parte do efetivo da Policia Civil do município esta lotada na carceragem de Pontal do Sul cuidando de vinte presos, o que não é função da polícia.
O Conseg/Pontal afirma que “paga provisoriamente para que uma pessoa ajude o delegado na tramitação dos inquéritos junto à Delegacia de Ipanema”.
Nesta semana, o conselho começou a coletar assinaturas para um abaixo assinado que será entregue ao governador Beto Richa (PSDB) e ao secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná (Sesp-PR), Wagner Mesquita.
Os moradores organizam uma manifestação para sábado desta semana e terça-feira da semana que vem. As vias mais movimentadas da cidade devem ser bloqueadas.
“Vamos fechar na terça-feira (12), que tem movimento da Techint. Quando parar a Techint vão começar a olhar para nós”, conclui o morador.
A Polícia Militar afirma que o município conta com viaturas e que existe patrulhamento de rotina na região. A PM afirma que continua à disposição por meio do número 190 para atendimento de ocorrências 24 horas por dia. Depois da reportagem, uma reunião foi marcada, entre um tenente da PM e os moradores, para discutir a segurança.
Em nota, a Polícia Civil afirma que a população do litoral a comparecer na delegacia para registrar os Boletins de Ocorrências referentes aos furtos e roubos, para que a autoridade policial tenha conhecimento dos fatos. Os moradores encaminharam à reportagem, pelo menos dez boletins registrados nas últimas duas semanas. A Polícia Civil não informou o número de ocorrências registradas nas últimas semanas.
Sobre a superlotação da carceragem de Pontal, e o fato de policiais civis estarem cuidando dos presos, a Secretária de Segurança e Administração Penitenciária, a direção da Polícia Civil e o Departamento de Execução Penal (Depen), afirmam que estão cientes do problema nas delegacias do Estado.
Segundo a nota, é importante salientar que já houve avanços: no início de 2011 a Polícia Civil gerenciava em torno 14 mil presos e hoje o número é de aproximadamente 9.500 detentos. Semanalmente, o Comitê de Transferência de Presos, que conta com representantes do Poder Judiciário e do Ministério Público, autoriza a transferência de presos de delegacias para o sistema prisional. No entanto, as vagas só são abertas com a saída de presos e, para isso, é preciso autorização do Poder Judiciário.

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